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Um breve histórico Imprimir E-mail

Desde 2011, o IBGE divulga informações do IPP – Índice de Preços ao Produtor. De 2011, com dados retroativos a dezembro de 2009, até agosto de 2015 (dados de julho), as informações divulgadas disseram respeito às indústrias de transformação, e, a partir de então, incluíram-se, com dados retroativos a dezembro de 2013, as indústrias extrativas. Neste mesmo mês, passaram a ser divulgados resultados por grandes categorias econômicas, ou seja, os produtos selecionados foram classificados como bens de capital, bens intermediários ou bens de consumo (duráveis ou semiduráveis e não duráveis).

Em síntese, a série para as indústrias de transformação inicia-se em dezembro de 2009, as demais (indústria geral, indústrias extrativas e grandes categorias econômicas), em dezembro de 2013.

Antecedentes

Entre 1982 e 1985, o IBGE, sob a supervisão da atual Coordenação de Índices de Preços, planejou e executou um projeto piloto na área de índice de preços ao produtor, tendo como âmbito a indústria. Apesar de apoiar-se em metodologia condizente com as melhores práticas internacionais, num momento em que ainda não havia um marco claro, como é hoje o Manual IPP/FMI, a descontinuação do projeto justificou-se pelos baixos níveis de respostas.

Mais recentemente, o projeto de um índice de preços ao produtor voltou a ser discutido no IBGE, levando em conta necessidades prementes de uma informação desse tipo tanto para o próprio Instituto (uso nas Contas Nacionais e no deflacionamento das pesquisas anuais primárias), como também para os agentes econômicos privados (acompanhamento da evolução do preço do próprio setor ou de setores fornecedores ou clientes) e públicos (particularmente o Banco Central, responsável por assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda).

No projeto atual, a responsabilidade ficou por conta da Coordenação de Indústria (COIND). Essa mudança teve por base o fato de a pesquisa ser tipicamente direcionada às empresas e, num primeiro instante, as industriais. O IPP, na sua concepção ideal, cobre todos os setores: agricultura, indústria e serviços. O objetivo é, a partir da consolidação do projeto nas indústrias de transformação, estender o alcance da pesquisa para estes outros setores.

Na COIND, o projeto foi desenvolvido de forma paulatina. Num primeiro momento, foram definidas as linhas básicas de atuação e, a partir do final de 2003, organizou-se uma equipe exclusiva da pesquisa. A partir daí, além da definição das estratégias gerais, a equipe manteve contatos tanto com instituições similares (do Chile, em particular) como com o FMI, que, no âmbito das Nações Unidas, passou a coordenar a preparação do Manual IPP/FMI, lançado em setembro de 2005. Estas aproximações culminaram com consultorias internacionais que assessoraram o projeto ao longo do tempo.

O projeto IPP pode ser visto em duas etapas distintas e conectadas. Na primeira, é feita a especificação dos produtos, ou seja, cada um dos produtos é descrito de forma a tornar apto o levantamento posterior de seus preços. Na segunda, os preços, acordados na primeira etapa, passam a ser pesquisados mensalmente. A partir dele, calculam-se os índices, que são, efetivamente, as informações que serão divulgadas. A especificação recebeu atenção especial no projeto atual. Descrever detalhadamente os produtos garante que as alterações de preço sejam puras, não se confundindo com mudanças na qualidade ou na forma da transação. As especificações devem ser entendidas como uma negociação firmada entre o IBGE e a empresa. Qualquer mudança requer uma comunicação entre as partes.

A especificação passou a ser uma etapa muito bem definida e estruturada no novo projeto, cumprindo o objetivo de definir exatamente o produto, mas também o de registrar a negociação entre o instituto e as empresas. A forma encontrada de cumprir os dois objetivos foi a criação de questionários de especificação. Nisso, o Brasil está se diferenciando de uma parcela grande de experiências, aliando-se às melhores práticas internacionais. Existe uma infinidade de situações relacionadas à especificação. Na prática, cada produto tem suas características próprias. Como então o IBGE poderia definir cada uma delas?

Isoladamente, seria impossível. Mesmo com o recurso da pesquisa na internet, não haveria como definir para todos os produtos do IPP (mais ou menos 300) aqueles fatores que influenciam o preço. Diante dessa questão, a equipe à frente da pesquisa traçou uma estratégia. Antes de pensar em levantar os preços, seria preciso definir os questionários de especificação. Para definir esses questionários, a ajuda externa viria das associações de classes ou dos sindicatos patronais. A ideia é simples, as associações têm conhecimento suficiente do setor para dizer os elementos que têm impacto na definição dos preços. Isso começou a ser feito em 2004, no Instituto Aço Brasil. Esse primeiro contato ensinou que, apesar de a associação ter bastante conhecimento, esse nem sempre bastava. Logo, mostrou-se necessário fazer reuniões com empresas propriamente ditas. As associações, nesse sentido, passaram a ser um elemento de articulação entre o IBGE e as empresas.

A sistemática desses contatos, representada na figura a seguir, pode ser descrita da seguinte forma: o IBGE apresentou, por setor e produto selecionado, um questionário "provocativo", e esse passou a ser discutido até o momento em que o mesmo pôde ser tratado como concluído. Essas discussões não se findavam na primeira reunião, mas se prolongavam, por intermédio de telefone, de correio eletrônico e, algumas vezes, de visitas às empresas ou de novas reuniões nas associações. Enfim, formava-se um espaço comum de atuação dos três agentes envolvidos nas negociações.

Figura 1: Estratégia para montagem dos Questionários de Especificação

Fluxo

 

À medida que o contato com associações e empresas permitiram a conclusão dos questionários de especificação, o projeto avançou em três frentes. Na primeira, ao incluir outras associações e/ou empresas, definiram-se novos questionários de especificação. Para aqueles setores que já tinham passado por esta etapa, aplicaram-se os questionários às empresas com o intuito de detalhar os produtos cujos preços começariam a ser acompanhados. Por fim, onde já houvesse especificações concluídas, deu-se início à coleta de preços propriamente dita.